SAMHAIN: A morte como caminho

Altar de Samhain

Uma das características que tornam o Paganismo e a Bruxaria tão especiais é a pluralidade . A capacidade de aceitar, compreender e lançar mão das diferenças filosóficas para alcançar uma experiência espiritual mais completa. Através dela é possível reconhecer ensinamentos comuns – em diferentes contornos e matizes, como ocorre nas diversas Tradições Mágicas.

Tendo isso em mente, apresentarei – ao longo do ano – uma visão egípcia dos festivais da Roda do Ano, começando pelo Samhain.

Samhain significa, sobretudo, o necessário fim de um ciclo para o início de um novo. Representa a eterna renovação da vida através da morte. A transformação mais profunda é atingida pelo sacrifício mais sublime.

Arcano XIII: A Morte

Arcano XIII: A Morte como caminho para a transformação.

Em termos naturais, o sabbath ocorre no momento em que o calor dá lugar ao frio e a luz cede à escuridão crescente (01 de maio no hemisfério sul).
Já na mitologia egípcia, a temática de sacrifício e transformação através da morte se traduz, perfeitamente, no mito da Morte de Ausar (Osíris).

Hórus, Osíris e Ísis.

Heru, Ausar e Auset.

No início, o grande Ausar era um deus da agricultura e civilidade, governava como faraó por toda a extensão fértil do Egito. Até que seu irmão Seth, movido pela inveja e ira, o assassinou. Então, as grandes Auset (Ísis) e Nebthet (Néftis) partiram em busca de seus restos mortais e – com auxílio de Anpu (Anúbis) – reconstituíram seu corpo. Ausar RENASCE como senhor do submundo, juiz supremo da sala das duas verdades – o tribunal das almas, onde define o destino das almas imortais que lá chegam.

Tribunal de Ausar

Heru conduz uma alma até Ausar.

Neste primeiro momento, podemos vislumbrar a dimensão da transformação que a morte trouxe a Ausar. Passou de uma divindade terrena de importância “média” – dividindo atribuições com outros deuses – para uma posição soberana no além vida, como Senhor de Duat, o Reino dos Mortos. Pode-se concluir que o ardil de Seth voltou-se duplamente contra ele. Pois, além do fato de Ausar ter ascendido através da morte, Auset dará luz a Heru (Hórus) – senhor da luz, filho e vingador de Ausar. Heru é um defensor da ordem, bondade e justiça, uma verdadeira antítese do tio.
Portanto, ao matar o corpo físico de Ausar, Seth o transforma duplamente, pois ele ascende e renasce em Heru – que comunga de sua essência.

Samhain diz respeito à transformação, uma ruptura essencial à manutenção do equilíbrio e da vida. Enquanto Yule, o próximo festival da roda (21 de junho), é o triunfo da vida sobre a morte e será representado pelo renascimento de Ausar em Heru.
Partindo do mito, temos os elementos básicos para uma Celebração de Samhain:

Samhain Altar

Altar de Samhain.

A Deusa, simultaneamente mãe e viúva: Auset.
O Deus sacrificado: Ausar.
A esperança do retorno da luz: Heru.

Com isso em mente, construa suas invocações. Peça ao Grande Pai Ausar a sabedoria e coragem necessárias para mudar velhos hábitos, transcender os padrões impostos e perseverar.
À Grande Mãe Auset, a capacidade de se reconstruir e moldar seu próprio destino. Abra-se a seus sábios conselhos e perceba sua intuição aflorar.
Como ação ritual, ofereça todo o pesar de seu coração às chamas e peça para que o Grande Anpu o conduza à Auset para ser magicamente transformado.

Feliz Samhain!

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