MAAT: Verdade, Ordem e Justiça – Parte I

“Tenha consciência de que a eternidade está próxima.
Pratica a retidão: ela é teu sopro vital!”1

maat na balança

Maat, Deusa da Verdade e Justiça coloca-se no prato direito e no alto da balança durante o julgamento das almas.

 Maat é a ordem, a lei universal, o caminho reto, a integridade, precisão e justiça.

Ela representa a força que mantém o universo íntegro e coeso – aquilo que torna sua própria existência possível.

Jamais poderemos encontrar sinônimos suficientes para alcançar sua amplitude e perfeição. Pois ela representa tudo o que é correto, justo, belo e verdadeiro. Maat é parte da própria essência divina:

“Maat – a Retidão – nasceu no coração da Luz divina (de Rá)”2

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Dualidade
No Egito antigo a dualidade entre bem e mal era representada pelos opostos: Maat e Isfet. Enquanto Maat representa a Ordem e a Criação divinas, Isfet representa a transgressão pecaminosa, a aniquilação do bem, a Morte definitiva e o Caos (para eles, sinônimo de Mal absoluto).

Por isso, Maat era o princípio fundamental da religião, vida e pensamento egípcios. Para eles, todos – sem exceção – deveriam buscar: conhece-la, compreende-la e, sobretudo, pratica-la em todos os momentos e áreas da vida.

“Passei minha existência procurando o bem,
Atingi em paz a condição de venerável.
Dia após dia fiz com que crescesse a retidão junto a Tua Majestade,
Sou um homem íntegro e justo,
Isento do mal,
Meu coração não se prende a uma ação má.3

maat_deusa

A grande sabedoria reside em vivenciar Maat: propagar a verdade e a ordem no mundo. Isso mantém o universo em equilíbrio, apraz o coração dos Deuses, gera prosperidade e prolonga a existência eternamente. Maat é o despertar da nossa verdadeira consciência.

“Aquele que é grande vive a retidão de Maat.
A iniquidade – isfet – é algo que ele detesta.
Ele busca a companhia dos veneráveis,
Ele é o companheiro da retidão.”1

E este deve ser um “esforço” contínuo: “Atém-te firmemente à Regra (Maat), não a transgridas. (…) Quando o fim sobrevém, Maat permanece.1

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A Deusa
Maat era também a primeira filha de Rá. A primeira emanação do Criador, pois sem Ordem não há vida.
É também considerada esposa de Djehuty (Thot), o Deus da sabedoria, escrita e magia. Este casal nos traz uma importante reflexão sobre a necessidade de mantermos uma postura ética enquanto praticantes de magia – Pois a retidão é esposa da magia!

Maat é representada como uma Deusa de longas asas, com a cabeça encimada por uma pluma de avestruz. Ela tem um papel importantíssimo no destino das almas, ao presidir seu julgamento no Tribunal de Asar (Osíris). A sede do Tribunal leva o nome de “Sala dos dois Maats”, pois nela serão pesadas as duas verdades: a verdade divina – a regra, a lei, o equilíbrio – frente à verdade humana – do coração dos homens. Para adquirir a vida eterna, o coração deverá ser julgado tão leve quanto a pluma de Maat. Do contrário, será entregue à besta Ammut, que o devorará, pondo fim à existência daquela alma. Para tentar comprovar a leveza de seu coração, a alma deverá fazer várias “Confissões Negativas”, também chamadas de “Declarações de Inocência”, alegando ter seguido os princípios de Maat por toda a vida:

confissões negativas maat

Confissões Negativas perante o Tribunal de Asar, na Sala dos dois Maats.*

No próximo post:
Prática e Ritual de conexão com Maat.

Que a luz da verdade ilumine o caminho à tua frente, e a pureza de Maat transforme teu coração!
Em hotep!

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Ref. Citações:
1. JACQ, Christian. A Sabedoria Divina do Egito Antigo. 3.a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
2. Inscrição do Templo de Íbis – Oásis de Khargeh
3. Rammant-Peeters. Les Pyramidions Egyptiens du Nouvel-Empire. Peeters Publishers, 1983.
* Abril Cultural. Textos Sacros. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

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