MAAT: Verdade, Ordem e Justiça – Parte II

Parte II – PRÁTICA:

Tendo em mente o simbolismo analisado no post anterior, vamos à prática!
Conforme analisamos previamente, o pensamento egípcio sobre a evolução espiritual exige o alinhamento de nossas vontades e ações com Maat. Para isso devemos ser persistentes na verdade e no bem.  A liberdade é um poder, que sempre traz consigo grandes responsabilidades – sobre nossos próprios atos e sobre o mundo ao nosso redor.
A seguir, descreverei algumas práticas que adotamos para estabelecer e fortalecer a conexão com a grande Senhora da Verdade:

MAAT - Representação hieroglífica

MAAT – Representação hieroglífica

O Despertar
O primeiro passo ao iniciar a busca por Maat é reconhecer sua existência – enquanto Equilíbrio e Lei Universais – e trazê-la à consciência diariamente para que sua presença nos guie rumo à nossa verdadeira vontade e evolução.

Para isso, devemos contemplar o equilíbrio e harmonia do universo.

Sente-se confortavelmente, tenha à mão um pincel, tinta preta e uma folha de papiro (ou papel encorpado). Feche seus olhos e chame por ela:

“Grande Mãe Maat: Verdade, Equilíbrio, Harmonia e Justiça! Tua é a Lei que regula o Universo. Reconheço teu poder e presença em toda criação: Causa e Efeito, Caçador e Presa, Vida e Morte, Trevas e Luz.” 

Permita-se experimentar a sensação de equilíbrio e completude que a presença Dela proporciona. Com sua visão interior, visualize a Lei Universal operando constantemente em todos os planos. Ao fim, una todas as imagens para formar uma pluma, símbolo máximo de Maat – graciosa e leve como um coração puro.
Abra os olhos e desenhe esta pluma no papiro, exatamente como a visualizou. Ao terminar, transcreva o nome de Maat (conforme imagem acima) logo abaixo de seu desenho.
Mantenha-o à vista, de preferência no seu quarto (ou em seu altar – se já tiver o costume de realizar algum ato devocional matinal) – o importante é ter essa representação junto a si – desde o Despertar.

Todos os dias, ao acordar, coloque-se diante dele com os punhos fechados e os braços cruzados – Posição de Osíris – dizendo: “Eu te saúdo Maat! Anedj H’rak, Maat!”.

Peça para que a consciência de Maat ilumine teus pensamentos e ações durante todo o dia.

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“Eu te Saúdo, Maat! Anedj-H’rak Maat!” – Posição de Osíris

O Juramento
O passo definitivo no processo de busca à Maat se dá com a realização de um Ritual de Dedicação à Ela. No qual o magista se apresentará, colocará seu Coração à prova e realizará votos de dignidade e honra, assumindo seu compromisso com a Grande Obra (o Sumo Bem) e com os Neteru (Deuses) por toda a vida.  

Que a luz da verdade ilumine o caminho à tua frente, e a pureza de Maat transforme teu coração!
Em hotep!

LITHA: A vitória da Luz

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Em sua jornada pelos céus, o Grande Pai Sol atinge o ápex – ponto mais alto de sua trajetória – trazendo consigo o dia mais longo do ano e anunciando a vitória da luz sobre a escuridão.

No hemisfério sul, o Solstício de Verão ocorre no dia 21 de Dezembro.
Litha é portanto, uma celebração – essencialmente – solar. A luz solar representa a centelha divina que todos os seres carregam dentro de si, a razão, as certezas, a verdade e a justiça.

É tempo de celebrar o triunfo da vida e da verdade. Renovar nossos votos de dignidade e honra, reassumindo nosso compromisso com a Grande Obra e com os Neteru. A liberdade gera poder, que sempre cria grandes responsabilidades – sobre nossos atos e a realidade ao nosso redor.

Para o povo egípcio, essa consciência estava sempre presente nas figuras de Maat – Deusa da Verdade-Justiça – e do próprio Faraó (O Rei Divino).

“…cada rei sucessivo, embora não fosse um deus, trazia nas veias o sangue de Rá, o Divino Sol, de quem era o representante vivo na Terra. Por essa razão, não era o rei o pai de seu filho, mas o Sol, o Divino Sol.”1

O Faraó era considerado descendente direto de Rá – o Grande Deus Falcão, o próprio Sol. A essência de Rá transcende o “Sol Físico”, Ele é a encarnação do “Divino Sol”. O Divino Sol é a fonte primordial de toda a Luz: verdade e vida. Todo “homem” é um “Portador da Luz” e deve, portanto, buscar o despertar para “sua verdadeira natureza em Rá, alcançando-se ao reino da pura Luz, à ´Barca de Milhões de Anos´…”1

O Grande Rá em sua Barca de Milhões de Anos.

O Grande Rá em sua Barca de Milhões de Anos.


“O Divino Sol, caracterizado pelos egípcios antigos como Rá, era o Centrum, não apenas do Cosmos manifesto, mas de todos os reinos da existência, de que tudo emanou e em que tudo se dissolverá outra vez.” 1

O grande Criador, Pai dos Deuses. RÁ é o Sol, a própria luz do mundo. Luz da consciência e razão, que afasta a dúvida e indefinição da penumbra. RÁ é o autogerado, Aquele que nasceu de sua própria vontade. É o Senhor da magia, cujas palavras de poder moldam tudo o que existe. Ele é a própria vida.

É para Ele que nos voltamos em Litha.
Devemos cantar em sua honra, agradecer por sua  presença  inspiradora e, como dito anteriormente, renovar nosso compromisso com tudo o que Ele representa. Devemos despertar para a nossa Consciência Solar: Devemos ser o Sol de nosso mundo particular – não para ocupar o centro e alimentar nosso ego – mas para nutrir, vigiar, proteger e criar!

Entre os muitos mitos que envolvem este Deus, escolhemos o que traduz seu compromisso com a verdade-justiça e assegura a vitória da luz sobre as trevas: O combate de Rá e Apep.

Rá enfrenta Apep, noite à dentro.

Rá enfrenta Apep, noite à dentro.

Apep é o Deus Serpente que representa o Caos e a Escuridão, o domínio noturno. É a antítese de Rá, o ponto de equilíbrio. Aquele que morre e renasce diariamente para assegurar a existência da noite – “engolindo” a Barca do Sol.

É a força de Rá que assegura o retorno diário do Sol – e a manutenção da vida. Com base neste mito – e num excerto do Livro dos Mortos2, faremos nossa ação ritual.

Altar de Litha :: Garden of Spells

Altar de Litha

O Ritual

Antes de iniciar o ritual, recomendo realizar uma meditação ativa de centramento – direcionada a Rá, o “Lótus Ankh”

Para o Ritual propriamente dito, faça sua invocação à Rá e Identifique tudo o que representa a Apep em seu mundo particular. Tendo isso em mente, traduza em palavras-chave. Então, num pedaço de papiro virgem, escreva estas palavras em sequência, formando uma linha sinuosa como uma serpente. Enrole o papiro e apresente-o aos Deuses:

“Este é Apep (Apópi/Apópis)! A grande serpente do abismo, Senhor do Caos e desordem. O engolidor de Sóis”.

Faça, com suas próprias palavras, um encantamento de constrição, como o seguinte trecho do Livro dos Mortos2:

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As únicas palavras que devem ser as mesmas, são:

“Eu preparo tuas cordas, oh Rá! (…) Apep caiu! É AMARRADO E ACORRENTADO PELAS DIVINDADES DO SUL, DO NORTE, DO LESTE E DO OESTE. Todas elas o acorrentaram!”

Faça um nó em volta do papiro enrolado, com linha preta forte, a cada grupo de divindades (divindades do sul – um nó – do norte – outro nó… ). Ao fim, entregue o papiro às chamas e observe-o ser consumido.

Adicione ervas solares e um punhado de sal grosso às chamas e carregue a lâmina de seu athame nelas. Infunda este poder no conteúdo de seu cálice e beba.

ervas solares de Litha

Ervas Solares: Canela, Calêndula, Eufrásia e R. Lótus.

Honre o Grande Pai Rá e as Grandes Mães Solares Auset e Sekhmet.
Invoque o poder da verdade e da luz para que estejam sempre contigo e com os teus bem amados.

Que a luz da verdade ilumine o caminho à tua frente, e a chama de Rá mantenha teu coração aquecido e puro!
Em hotep,
FELIZ LITHA!

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Ref. Citações:
1 – Versluis, Arthur. Mistérios Egípcios. Ed. Círculo do Livro.
2 – Desconhecido. O livro dos Mortos do Antigo Egito. Ed. Hemus.

Espelhos Mágicos

“Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos se lembram de nós.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, se vão?”
– Eduardo Galeano.

Narciso - Caravaggio

Narciso, Caravaggio.

O espelho gera a duplicação ilusória da realidade. A visão de nossa própria imagem nos traz a consciência de nós mesmos. Não bastasse este efeito, os espelhos podem ser imbuídos de muitas outras qualidades e poderes, como veremos a seguir:

Magia com Espelhos
A prática mágica com espelhos derivou de antigas técnicas de divinação com água. Estas práticas ainda são comuns entre os praticantes de Magia Egípcia e alguns covens, que utilizam seus caldeirões para divinação.

O espelho mágico é um objeto de poder que opera como uma ponte entre os planos físico e astral, permitindo trabalhos de divinação, projeção astral, comunicação espiritual e banimentos (aprisionamentos), sua correspondência astrológica é, essencialmente, lunar.

Um dos tipos mais famosos de espelho mágico é o Espelho Negro.
Sua superfície é negra e brilhante, pode ser feito em pedra ou vidro. Muitos atestam que as formas ovais e circulares são preferíveis, por serem diretamente conectadas às energias lunares.
Para imbuir os espelhos mágicos de energia lunar e permitir seu funcionamento são usados “condensadores fluídicos”, ou seja, compostos mágicos que misturam elementos naturais e energia espiritual do mago.

Para completar o processo e torná-lo apto para uso, ele deve ser consagrado.

A Consagração do Espelho Mágico
Todos os instrumentos mágicos devem passar pelo rito de consagração. O procedimento visa anular quaisquer memórias vibracionais antigas, carregá-lo com energias específicas e estabelecer um vínculo entre o bruxo e o objeto consagrado. A partir da consagração, todos os instrumentos mágicos devem ser utilizados, exclusivamente, em rituais e práticas mágicas.

Tintura Lunar "Noite Negra", para consagração - por Garden of Spells

Tintura Lunar “Noite Negra”, para consagração – por Garden of Spells

Para consagrar seu espelho mágico, utilize uma poção, ou tintura de ervas lunares, sob a luz da Lua Cheia. Espalhe o líquido com movimentos circulares, no sentido horário, enquanto recita um encantamento ou oração lunar. Tome o espelho negro em suas mãos, extenda seus braços em direção à Lua e “chame” a luz do luar. Visualize-a atravessando o espelho e preenchendo o seu corpo cada vez mais, a cada inspiração.

Quando sentir-se pleno de energia lunar, aproxime o espelho mágico, olhe para o seu reflexo no espelho e diga: “está feito!”. Cubra seu espelho mágico com um tecido negro e mantenha-o assim, enquanto não estiver em uso. Jamais exponha-o à luz solar.

Espelho mágico

Espelho Negro “Teia de Prata”, por Garden of Spells

Utilizando seu Espelho Mágico
Antever o futuro e buscar respostas em outros planos de existência continuam sendo os principais motivos de procura por Espelhos Mágicos. Por isso, trataremos, exclusivamente, deste uso no presente texto.

Eis o procedimento básico para Divinação, que pode ser alterado conforme suas necessidades:
Relaxe, sente-se confortavelmente. Se desejar, faça uma invocação à Uma divindade-guia e queime ervas em Sua honra. Apague todas as luzes, acenda uma única vela e posicione-a paralelamente ao espelho, fora de seu campo de visão. Faça uma invocação-comando, como esta:
“Espelho negro, negro como a noite primordial, a terna escuridão do útero materno, as profundezas do subconsciente e a terra fértil: mostre-me o porvir!”

Esvazie sua mente e fite o espelho. Permita-se adentrar em sua escuridão. Mantenha-se aberto e relaxado. Aguarde as respostas…

O que esperar?
Há relatos de experiências auditivas, visuais e táteis… O nível de percepção de cada um irá definir o “resultado” das tentativas. Além disso, esta técnica requer certo nível de conhecimento de simbologia, pois como todo método divinatório, fala ao subconsciente. Se não obtiver resultados nas primeiras tentativas, tenha paciência, relaxe e tente novamente.

O Garden of Spells preparou uma coleção de Espelhos Negros para você,
com poderosos condensadores fluídicos e uma tintura lunar de consagração!

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Boas visões e boa sorte!

IMBOLC: O Despertar

Auset amamentando Hórus

Wadjet, Tehuti, Auset amamentando Heru, Amun e Nekhbet.

A fase mais rigorosa do inverno ficou para trás, dando lugar a dias mais longos e amenos.
As energias latentes começam a despertar, preparando o solo e as sementes para a chegada da primavera.
Para os animais é época de lactação, e para nós, é tempo de “alimentar” nossos desejos e sonhos. Para isso, devemos buscar o “despertar da CONSCIÊNCIA”Examinar todas as suas pendências, transpor obstáculos e agir para concluir os planos iniciados.

Na mitologia egípcia, estas temáticas podem ser visualizadas nos mitos referentes à infância de Heru (Hórus).
Celebramos a partida de Ausar em Samhain, o nascimento de Heru em Yule e agora, seu crescimento e vigor!

heru imbolc1

Heru, Senhor da Luz, Ordem e Justiça.

Heru é visto como o próprio Sol, seu nascimento e ascensão acompanham o ritmo natural rumo à primavera e verão.
Sua infância e juventude não foram fáceis,  além dos obstáculos naturais impostos pela vida, teve de enfrentar vários ataques de Seth.
Portanto, este período representa a batalha pelo retorno do Sol.
Assim como Ele, devemos nos fortalecer, cicatrizar as feridas de antigos combates e preparar terreno para o novo.

Heru foi criado por sua mãe Auset – e protegido pelas deusas serpentes Wadjit e Nekhbet.
Estas deusas representam o poder protetor do sol, sabedoria, vida e transformação (devido a suas constantes trocas de pele).
Dedicarei o próximo post a elas.

Partindo do mito, temos os elementos básicos para uma Celebração de Imbolc:

Altar de Imbolc

Altar de Imbolc

As Deusas: Auset, Wadjet e Nekhbet.

O Deus renascido / Criança da promessa: Heru.

Com isso em mente, construa suas invocações. Peça às Grandes Mães por proteção e força para empreender as ações necessárias à execução de seus planos. Mergulhe em sua intensa luz e sinta-se regenerado e pleno.
Faça uma oferenda ao Grande Pai Heru, nutra-o com algo feito por você. Pode ser uma pintura, um desenho, uma porção de alimento, um poema ou canção: Use a criatividade! Exalte o Sol e agradeça por seu retorno.

Como ação ritual, queime ervas solares (canela, girassol e cravo), contemple as chamas enquanto faz suas invocações. Entregue sua oferenda às chamas e medite sobre a presença da Grande Mãe em sua vida, agradeça.

Feliz Imbolc!

MAGIA LUNAR: uma introdução

Moon Magic - Garden of Spells

“Quando admiro a magnitude de um pôr do sol ou a beleza da Lua, minha alma se expande em veneração ao Criador.” -Mahatma Gandhi.

Sua beleza e poder fascinam o homem desde o início dos tempos. Mitologicamente, a Lua representa a Grande Mãe Celeste, soberana do céu noturno, senhora dos mistérios da noite.

Sem dúvida, temos muito a aprender com ela.
Por onde começar?

A Lua está em constante movimento e EVOLUÇÃO.
O movimento lunar é fluído. Sua aparência se transforma a cada segundo – nem mesmo as suas fases são estanques, mas parte de um ciclo ininterrupto.

Uma das possíveis definições de “magia” é “transformação da realidade”. Sendo assim, temos a Lua como Senhora da Magia e Transformação.
Podemos recorrer a Ela para auxílio em práticas mágicas, estudo e transformação interna.

A Lua governa a NOITE.
A escuridão e a penumbra, representam o conhecimento intuitivo e o subconsciente – em oposição à luz solar, que simboliza a racionalidade pura.

A Lua também rege o sono e os sonhos. Portanto, temos a Lua como Senhora dos mistérios e do subconsciente. Esta faceta auxilia em estudos ocultos, despertar a intuição, divinações e sonhos.

A Lua rege as ÁGUAS.
Sua energia tem influência direta sobre a água: seu movimento age sobre as marés,
a duração média dos ciclos menstruais é a mesma do mês lunar (29 dias); Não podemos esquecer que o corpo humano é composto por 70% de água…
A água é o elemento primordial, o “oceano amniótico” de onde a vida surge.
Temos aqui, a Lua como Senhora da Vida. Esta faceta está sempre presente, pois é a própria representação da MÃE, com seu amor incondicional e protetor.

Conectando-se:
Para esta prática inicial, você precisará de:

  • caldeirão e álcool de cereais
  • cálice com água ou vinho branco* (se maior de 18 anos)
  • porções iguais de:
    – Jasmim
    – Cânfora (erva)
    – Salgueiro e
    – Sândalo

Ritual Lunar - Magia Lunar - Moon Ritual - Moon Magick

Sente-se confortavelmente sob o luar, acenda seu caldeirão com álcool de cereais e ofereça as ervas ao fogo.

Saúde a Grande Mãe Lua, inspire profundamente o aroma emanado da mistura enquanto contempla o luar. Deixe sua mente livre de quaisquer distrações, mantenha sua atenção na Lua. Peça à Grande Senhora dos Céus a inspiração e auxílio necessários.

Tome o cálice em suas mãos e estenda os braços em direção à Lua, para que Ela o preencha com sua energia.

Agradeça, derrame um pouco na terra, ou no caldeirão – se estiver dentro de casa (cuidado com as chamas!), tome o restante vagarosamente. Sinta a energia lunar preenchendo seu corpo a cada gole. Feche os olhos por alguns instantes e sinta-se pleno.

Ela é a Senhora da intuição e do subconsciente, portanto, esteja preparado para revelações e ideias. Anote tudo o que for intuído, antes que as atividades cotidianas o façam esquecer!

Está Feito!

Maiores informações sobre magia lunar, correspondências e informações mitológicas em posts futuros.

YULE: O triunfo da vida, ordem e justiça

Yule: O triunfo da vida, ordem e justiça

Yule: O triunfo da vida, ordem e justiça

Yule inicia um novo ciclo, a renovação da vida.
A força e o vigor da criação, que se encontravam latentes, agora despertam.
A noite do Solstício de Inverno (21 de junho no hemisfério sul), mais longa que as demais, anuncia a vinda de dias mais longos: o retorno da LUZ.

Na mitologia egípcia, a temática de renascimento e transformação através da morte se traduz nos mitos da morte de Ausar e do nascimento de Heru (Hórus).

Grande Mãe Auset amamentando Heru.

Grande Mãe Auset amamentando Heru.

Logo após o assasinato de Ausar, as grandes Auset (Ísis) e Nebthet (Néftis) partiram em busca de seus restos mortais e – com auxílio de Anpu (Anúbis) – reconstituíram seu corpo. Auset reanimou-o magicamente e, juntos, conceberam Heru – o Senhor da Luz, defensor da ordem e justiça.

Seu nascimento é uma resposta direta ao assassinato de seu pai e, por conseguinte, ao caos estabelecido por Set. Enquanto seu pai – Ausar – atua como juiz supremo do tribunal das almas, Heru distribui sua justiça entre os vivos e assegura a manutenção da ordem natural e dos ciclos.
Portanto, o grande senhor da cabeça de falcão é, acima de tudo, um vingador. É aquele que se levanta contra a injustiça e iniquidade, distribui as recompensas e coloca todos em seus devidos lugares.

Heru, Senhor da Luz, Ordem e Justiça.

Heru, Senhor da Luz, Ordem e Justiça.

O rompimento de barreiras e obstáculos, a conquista do que parecia perdido e a concretização das promessas de Samhain são as marcas desta data.
Para muitos ocultistas, Heru representa a síntese das eras anteriores: A Era de Auset, marcada pelos cultos à Grande Mãe e A Era de Ausar, caracterizada pelo culto ao Grande Pai Sacrificado. A Era, ou Aeon / Éon de Heru seria a síntese, uma era de profunda renovação da humanidade.

Partindo do mito, temos os elementos básicos para uma Celebração de Yule:

Altar de Yule.

Altar de Yule.

A Deusa, em sua face mãe: Auset.

O Deus renascido / Criança da promessa: Heru.

Com isso em mente, construa suas invocações. Peça ao Grande Heru pela libertação através da justiça, força e inspiração para seguir o bom caminho.

À Grande Mãe Auset, proteção e intuição.

Como ação ritual, queime ervas solares (calêndula, canela, girassol, cravo e hortelã), consagre uma vela branca ou amarela (de sete dias) nesta fumaça. Contemple a chama e medite sobre suas novas resoluções. Faça isto durante o ritual e repita a meditação ao despertar, durante toda a semana.
Como Yule é também um momento muito propício para antever fatos futuros, o uso de métodos divinatórios é amplamente recomendado.

Feliz Yule!